sexta-feira, 25 de maio de 2012

A construção do conhecimento e as novas tecnologias


As reflexões que foram tecidas ao longo das produções e interações nos fóruns de aprendizagem nesta fase inicial do curso de Tecnologias, colocam-nos no papel de protagonistas de um processo construcionista em que aprender significa (re) construir saberes numa perspectiva crítico-reflexiva, interligado às mídias e as novas tecnologias disponíveis no contexto educacional. Se outrora a aprendizagem fluía mesmo com um aparato analógico, imaginemos o que se é possível fazer hoje com toda essa virtualidade voltada para o ensino e aprendizagem. Se bem que o desafio maior hoje não é “o que aprender”, mas sim, “como aprender”, uma vez que a própria tecnologia se encarrega de disseminar os conhecimentos.
É importante notar que uma particularidade bastante comum do ensino é o costume quase que exclusivamente da memorização mecânica, sem contextualização ou significado. Quando trabalhamos a aprendizagem significativa, damos sentido à linguagem que usamos e relacionamos o conhecimento construído com o cotidiano, com os fatos e a realidade do dia a dia, do sujeito da aprendizagem que interage com os outros sujeitos da sociedade. Isto foi perceptível nas atividades que desenvolvemos nesta unidade em que articulamos teoria e prática, ou seja, os conhecimentos científicos que exploramos tinham relação direta com a nossa realidade profissional. À medida que cunhávamos os saberes pertinentes a cada tema, prontamente estabelecíamos uma relação com a nossa experiência enquanto educadores, contribuindo intensamente para repensarmos os parâmetros que norteiam nosso exercício profissional. O educador brasileiro Paulo Freire (2004)[1] já nos advertia sobre a importância da dicotomia teoria-prática ao postular que a teoria era indissociável da prática e esta daquela. 
Nessa concepção de aprendizagem, a interação é intencional e esquematizada, entre o aluno, o professor e o que se deseja conhecer, habitando aí a profundeza da relação pedagógica. O desafio da conquista do conhecimento significativo está alicerçado na parceria da construção do saber, na peripécia do ensinar, do aprender e do apreender. A constituição do conhecimento expressivo é um processo que se estabelece no interior do sujeito da aprendizagem, sendo provocado, sobretudo, pelo educador.
E para que se estabeleça o aprendizado no interior do indivíduo, é importante destacar o papel da motivação que pode ser intrínseca e extrínseca. E neste ponto é determinante o empenho do aprendente em buscar em si mesmo sentido nos desígnios que estabelece para impetrar, pois do contrário não há como tornar significativos os seus atos, do mesmo modo o professor assume papel preponderante construindo um ambiente de aprendizagem peculiar às necessidades cognitivas, afetivas e sociais.
No desafio de ensinar e aprender, hoje, é preciso muito mais do que transferir conhecimentos, é preciso ir além das expectativas do educando proporcionando-lhe uma formação centrada nos valores e necessidades pessoais, sociais e profissionais em que a formação integral do educando deve transcorrer os anseios de uma sociedade marcada pela revolução tecnológica e pela evidência de uma nova cultura: a cultura digital. E neste novo cenário, o novo perfil do professor, que oportuniza a aprendizagem significativa é de catalisador, mediador e facilitador do conhecimento no processo de interação com o aluno. 
 Tornar a ação em sala de aula um trabalho onde o aluno constrói o próprio conhecimento não é tarefa que possa ser deixada a cargo de um recurso qualquer. Na prática educativa, acreditar que o conhecimento não é transmitido de uma pessoa para outra, mas construído através da atuação do próprio indivíduo sobre o que deve ser conhecido está diretamente relacionado à atuação do professor. Essa atuação permite ao educando: observar, explorar, pesquisar, comparar, relacionar, discriminar, levantar hipóteses, concluir, posicionar-se, dentro de um contexto de solução de problemas, como bem vimos sua relevância. Considerar o que o aluno já vivenciou e já conhece sobre determinado conteúdo, estabelecendo metas que resultem em uma ampliação de seu conhecimento inicial é acreditar no poder da informação como forma de ampliar e sistematizar o que o aluno já conhece, buscando a construção do conhecimento científico. Trabalhar sempre com desafios que permitam ao aluno ir além do que sabe, fazendo-o buscar soluções que superem sempre as já conhecidas, é oferecer ao aluno oportunidades de respostas, caminhos e soluções variadas e criativas, estabelecendo entre eles a troca das muitas possibilidades do pensamento.
Tomando como referência o exposto, é possível perceber que os estudos fundamentados em literatos como Skinner, Pavlov, Piaget, Vigotski, Freud e Erikson foram de extrema importância para a reestruturação dos meus conhecimentos, haja vista que percorrendo estes caminhos pude acompanhar a evolução dos processos de aprendizagem em consonância com as nuanças do desenvolvimento humano. Conhecer e refletir sobre esses aspectos foram primordiais para entender de que forma o aluno aprendia em outros tempos e que isto fazia parte do perfil daquela geração. Hoje, ver-se a necessidade de uma prática pedagógica construtivista, condizente com o perfil do indivíduo pós-moderno e com o contexto social onde o mesmo está inserido.
Vale salientar ainda que utilizar-se de recursos tecnológicos para incrementar as aulas por si só, sem necessariamente estarem alicerçados a um planejamento prévio e a uma prática educativa crítica e democrática pode “mascarar” um ensino inovador e distanciar a aprendizagem significativa. O importante é ter clara a visão de que a tecnologia é um forte aliado do ensino e aprendizagem quando utilizada com objetivos claros e bem definidos, com vistas à construção do objeto cognoscível.

Referências
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATOLICA DO RIO DE JANEIRO -PUC/Rio.    Coordenação Central de Educação à distância – CCEAD. Concepções de Aprendizagem Especialização em Tecnologias da Educação. Maceió, 2009. Disponível em:  http://www.proinfo.gov.br.



[1] FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 29 ed. São Paulo: Paz e Terra, 2004.

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