As
reflexões que foram tecidas ao longo das produções e interações nos fóruns de
aprendizagem nesta fase inicial do curso de Tecnologias, colocam-nos no papel
de protagonistas de um processo construcionista em que aprender significa (re)
construir saberes numa perspectiva crítico-reflexiva, interligado às mídias e as
novas tecnologias disponíveis no contexto educacional. Se outrora a
aprendizagem fluía mesmo com um aparato analógico, imaginemos o que se é
possível fazer hoje com toda essa virtualidade voltada para o ensino e
aprendizagem. Se bem que o desafio maior hoje não é “o que aprender”, mas sim,
“como aprender”, uma vez que a própria tecnologia se encarrega de disseminar os
conhecimentos.
É
importante notar que uma particularidade bastante comum do ensino é o costume
quase que exclusivamente da memorização mecânica, sem contextualização ou
significado. Quando trabalhamos a aprendizagem significativa, damos sentido à
linguagem que usamos e relacionamos o conhecimento construído com o cotidiano,
com os fatos e a realidade do dia a dia, do sujeito da aprendizagem que
interage com os outros sujeitos da sociedade. Isto foi perceptível nas
atividades que desenvolvemos nesta unidade em que articulamos teoria e prática,
ou seja, os conhecimentos científicos que exploramos tinham relação direta com
a nossa realidade profissional. À medida que cunhávamos os saberes pertinentes
a cada tema, prontamente estabelecíamos uma relação com a nossa experiência
enquanto educadores, contribuindo intensamente para repensarmos os parâmetros
que norteiam nosso exercício profissional. O educador brasileiro Paulo Freire
(2004)[1]
já nos advertia sobre a importância da dicotomia teoria-prática ao postular que
a teoria era indissociável da prática e esta daquela.
Nessa
concepção de aprendizagem, a interação é intencional e esquematizada, entre o
aluno, o professor e o que se deseja conhecer, habitando aí a profundeza da
relação pedagógica. O desafio da conquista do conhecimento significativo está
alicerçado na parceria da construção do saber, na peripécia do ensinar, do
aprender e do apreender. A constituição do conhecimento expressivo é um
processo que se estabelece no interior do sujeito da aprendizagem, sendo
provocado, sobretudo, pelo educador.
E para que se estabeleça o aprendizado
no interior do indivíduo, é importante destacar o papel da motivação que pode
ser intrínseca e extrínseca. E neste ponto é determinante o empenho do
aprendente em buscar em si mesmo sentido nos desígnios que estabelece para
impetrar, pois do contrário não há como tornar significativos os seus atos, do
mesmo modo o professor assume papel preponderante construindo um ambiente de
aprendizagem peculiar às necessidades cognitivas, afetivas e sociais.
No desafio de ensinar e aprender, hoje,
é preciso muito mais do que transferir conhecimentos, é preciso ir além das
expectativas do educando proporcionando-lhe uma formação centrada nos valores e
necessidades pessoais, sociais e profissionais em que a formação integral do
educando deve transcorrer os anseios de uma sociedade marcada pela revolução
tecnológica e pela evidência de uma nova cultura: a cultura digital. E neste
novo cenário, o
novo perfil do professor, que oportuniza a aprendizagem significativa é de
catalisador, mediador e facilitador do conhecimento no processo de interação
com o aluno.
Tornar a ação em sala de aula um trabalho onde
o aluno constrói o próprio conhecimento não é tarefa que possa ser deixada a
cargo de um recurso qualquer. Na prática educativa, acreditar que o
conhecimento não é transmitido de uma pessoa para outra, mas construído através
da atuação do próprio indivíduo sobre o que deve ser conhecido está diretamente
relacionado à atuação do professor. Essa atuação permite ao educando: observar,
explorar, pesquisar, comparar, relacionar, discriminar, levantar hipóteses,
concluir, posicionar-se, dentro de um contexto de solução de problemas, como
bem vimos sua relevância. Considerar o que o aluno já vivenciou e já conhece
sobre determinado conteúdo, estabelecendo metas que resultem em uma ampliação
de seu conhecimento inicial é acreditar no poder da informação como forma de
ampliar e sistematizar o que o aluno já conhece, buscando a construção do
conhecimento científico. Trabalhar sempre com desafios que permitam ao aluno ir
além do que sabe, fazendo-o buscar soluções que superem sempre as já conhecidas,
é oferecer ao aluno oportunidades de respostas, caminhos e soluções variadas e
criativas, estabelecendo entre eles a troca das muitas possibilidades do
pensamento.
Tomando
como referência o exposto, é possível perceber que os estudos fundamentados em
literatos como Skinner, Pavlov, Piaget, Vigotski, Freud e Erikson foram de
extrema importância para a reestruturação dos meus conhecimentos, haja vista
que percorrendo estes caminhos pude acompanhar a evolução dos processos de
aprendizagem em consonância com as nuanças do desenvolvimento humano. Conhecer
e refletir sobre esses aspectos foram primordiais para entender de que forma o
aluno aprendia em outros tempos e que isto fazia parte do perfil daquela geração.
Hoje, ver-se a necessidade de uma prática pedagógica construtivista, condizente
com o perfil do indivíduo pós-moderno e com o contexto social onde o mesmo está
inserido.
Vale
salientar ainda que utilizar-se de recursos tecnológicos para incrementar as
aulas por si só, sem necessariamente estarem alicerçados a um planejamento
prévio e a uma prática educativa crítica e democrática pode “mascarar” um
ensino inovador e distanciar a aprendizagem significativa. O importante é ter
clara a visão de que a tecnologia é um forte aliado do ensino e aprendizagem
quando utilizada com objetivos claros e bem definidos, com vistas à construção
do objeto cognoscível.
Referências
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATOLICA DO RIO DE
JANEIRO -PUC/Rio. Coordenação Central de
Educação à distância – CCEAD. Concepções de
Aprendizagem. Especialização em
Tecnologias da Educação. Maceió, 2009. Disponível em: http://www.proinfo.gov.br.
[1]
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática
educativa. 29 ed. São Paulo: Paz e Terra, 2004.
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