sexta-feira, 25 de maio de 2012

Internet é lugar de autoria ou plágio?


Sabe-se que a Internet vem configurando novos espaços de ensino e aprendizagem e que, nesses moldes de educação, a função do professor e do aluno ganha novas dimensões. O dilúvio de informação nas plataformas da Web demanda sujeitos cuja formação contemple a construção de uma postura crítica e autocrítica diante da abundância de informações disponíveis e seus usos.
Claro que não se deseja aqui esgotar a discussão sobre a funcionalidade do World Wilde Web (WWW), e sim promover reflexões significativas acerca do real uso dessa ferramenta e de como ela pode ser aplicada à educação sem necessariamente constituir um lugar de plágio. Através do exercício da autoria que hoje se apresenta no modelo colaborativo, a exemplo da Wikipédia, é possível utilizar o computador e a Internet para produzir textos, imagens, áudios e filmes, podendo acessar, simultaneamente, várias interfaces. Com isso, o internauta assume os papéis de leitor, autor e/ou co-autor, não só fazendo download como também upload.
É preciso lembrar que a cópia não é uma prática exclusivamente da internet, mas sim um saldo do modelo de educação tradicional. Há alguns anos o ato de copiar se dava nas enciclopédias e livros, pontuando uma educação marcada pela reprodução do conteúdo. Pelo que se vê esta prática ainda insiste em cristalizar-se, revelando o despreparo do aluno em transformar informação em conhecimento. Saber tratar a informação e adquirir fluência tecnológica[1] constitui as habilidades mais notáveis deste século e a escola precisa estar à frente destes conhecimentos. Observemos o que é proferido por Demo (2008) no texto Habilidades do século XXI: “o atraso da pedagogia é astronômico, o que não lhe permite direcionar a tecnologia; ao contrário, fica a reboque dela.”
Em síntese, faz-se necessário preparar o professor para um ensino mediado pelas tecnologias, sobretudo a Internet, para que o aluno nativo dessa sociedade virtual não seja ejetado de seu próprio mundo devido à negação de uma realidade que não há como ignorar. A clareza na proposição de atividades e a criação de ambientes interativos (que faz parte do cotidiano do aprendiz) podem configurar mecanismos pedagógicos capazes de inibir o plagiato e encaminhar o sujeito à autoria e co-autoria de saberes diversos.

REFERÊNCIAS

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATOLICA DO RIO DE JANEIRO – PUC-Rio. Coordenação Central de Educação à distância - CCEAD. Projeto Pedagógico Ferramentas de Autoria [aulas online]. Curso de Especialização em Tecnologias da Educação. Rio de Janeiro: CCEAD PUC-Rio, 2009. Disponível em: http://eproinfo.mec.gov.br/ Acesso em: 22/08/2010. 
DEMO, Pedro. Habilidades do Século XXI, Boletim técnico do Senac, Rio de Janeiro, v. 34, n.2, maio/ago. 2008. Disponível em: http://www.senac.br/BTS/342artigo-1.pdf Acesso em: 22/08/2010.




[1] Constitui habilidade mínima de “digitar texto, navegar a Internet, conhecer comandos repetitivos, mas igualmente como empreitada rebuscada de dar conta de empreitadas não-lineares interpretativas, nas quais a postura é de sujeito participativo e reconstrutivo.”

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