sexta-feira, 25 de maio de 2012

UM ROTEIRO PARA INCLUSÃO DE UM ALUNO SURDO


Promover a inclusão de crianças com deficiência – seja qual for a natureza - é um desafio para as instituições educacionais. As condições que são oferecidas ainda são incabíveis e demanda investimento em relação à formação do professor e demais membros da escola, adequação da estrutura física dos prédios escolares e dos recursos pedagógicos, frente às peculiaridades dos portadores de necessidades educacionais especiais.
Tomando como referência os estudos suscitados no Seminário Inclusão e Tecnologias Assistivas com enfoque da temática Surdez Profunda: ouvir não é o limite, destacamos a necessidade de se construir um script que oriente a inclusão de um aluno surdo na escola regular, com observância das características e das especificidades intrínsecas o qual nos propomos a apresentar.

ADAPTAÇÕES PEDAGÓGICAS
O Projeto político Pedagógico da escola é o ponto referencial que define a prática escolar e orienta a operacionalização do currículo como meio para promover o desenvolvimento e a aprendizagem dos alunos como um todo. Nesse ínterim, a escola deverá elaborar um Plano de Adequação Curricular com práticas adaptativas, que leve em consideração a inclusão e o respeito às diferenças.
DIAGNÓSTICANDO AS CONDIÇÕES DO ALUNO
Diagnosticar os problemas, as dificuldades e o nível de conhecimento do aluno é essencial para um trabalho mais eficaz, pois nos possibilita prevenir e corrigir desvios. Dessa forma, é necessário fazer uma análise para identificar as áreas que o aluno precisa de intervenção, buscando conhecer suas potencialidades e limitações e, a partir daí, traçar estratégias que possibilitem uma aprendizagem significativa.
 O ALUNO NA SALA REGULAR
O professor diante de uma turma que contém um aluno com deficiência auditiva e/ou surdez assume uma postura diferente, repensa e reorganiza suas aulas de modo a adaptar os materiais didáticos; utiliza-se de estratégias para agrupar os alunos de forma cooperativa. A presença de um aluno com problemas auditivos é o momento propício para levar o restante da turma a refletir sobre valores ligados a cidadania.
Ignorar a deficiência do aluno é ser indiferente a uma característica importante da criança, por isso é relevante que o professor permita que a turma faça perguntas sobre a deficiência do aluno, mas sem sentir pena, pois surdez não é um problema cabal, é uma diferença.

RECOMENDAÇÕES PARA UMA INCLUSÃO ADEQUADA
A integração do aluno surdo em classe comum não acontece como num passe de mágica. É uma conquista que tem que ser feita com muito estudo, trabalho e dedicação de todas as pessoas envolvidas no processo: aluno surdo, família, professores, fonoaudiólogos, psicólogos, assistentes sociais, alunos ouvintes, demais elementos da escola, etc.
Para a integração do aluno surdo em classe comum recomendamos que:
  • A escola estruture-se quanto aos recursos humanos, físicos e materiais; 
  • O processo ocorra após o período de alfabetização, quando o educando já possui razoável domínio da Língua Portuguesa (falada e/ou escrita). No entanto, de acordo com as condições que ele apresentar, nada impede que a integração ocorra na pré-escola ou em qualquer outra série;
  • A Escola, que vai receber este aluno, tenha conhecimento da sua forma de comunicação; 
  • A Escola só o recebe para inclusão em classe comum, quando houver garantia de complementação curricular sem Sala de Recursos, professores itinerantes ou intérprete de LIBRAS; 
  • A Escola organize a classe comum de forma que não tenha mais de 25 alunos, incluindo o integrado; 
  • Sua idade cronológica seja compatível com a média do grupo da classe comum que irá freqüentar; 
  • A Escola comum mantenha um trabalho sistemático visando a participação da família no processo educacional.
Os professores e demais profissionais que atuam junto ao aluno surdo na escola regular devem ser informados de que, embora ele possa não ter uma linguagem claramente expressa, poderá ter mais chances de integrar-se, se os profissionais, principalmente o professor da classe comum, estiverem atentos para os seguintes itens:
  • Aceitar o aluno surdo sem rejeição; 
  • Ajudar o surdo a pensar, raciocinar, não lhe dando soluções prontas; 
  • Não manifestar conduta de super proteção; 
  • Tratar o aluno normalmente, como qualquer aluno, sem discriminação ou distinção;
  • Não ficar de costas para o aluno, ou de lado, quando estiver falando;
    preparar os colegas para recebê-lo naturalmente, estimulando-os para que sempre falem com ele;
  • Ao falar, dirigir-se diretamente ao aluno surdo, usando frases curtas, porém com estruturas completas e com o apoio da escrita; 
  •  Falar com o aluno mais pausadamente, porém sem excesso e sem escandir as sílabas. O falar deve ser claro, num tom de voz normal, com boa pronúncia; 
  •  Verificar se o aparelho de amplificação sonora individual está ligado. Ele não faz o surdo ouvir, mas reforça as pistas e dá referências; 
  • Verificar se ele está atento. O surdo precisa "ler" nos lábios para entender, ao contexto das situações, todas as informações veiculadas; 
  •  Chamar sua atenção, através de um gesto convencional ou de um sinal; 
  • Colocar o aluno nas primeiras carteiras da fila central ou colocar a turma, ou o grupo em círculo ou semicírculo, para que ele possa ver todos os colegas, e para que seus colegas laterais possam servir-lhe de apoio; 
  •  Utilizar todos os recursos que facilitem sua compreensão (dramatizações, mímicas, materiais visuais); 
  • Utilizar a língua escrita, e se possível, a Língua Brasileira de Sinais; 
  • Estimular o aluno a se expressar oralmente, por escrito e por sinais cumprimentando-o pelos sucessos alcançados; colocá-lo a par de tudo o que está acontecendo na comunidade escolar; 
  •  Interrogar e pedir sua ajuda para que possa sentir-se um membro ativo e participante; 
  •  Incluir a família em todo o processo educativo;
  •  Avaliar o aluno surdo pela mensagem-comunicação que passa e não somente pela linguagem que expressa ou pela perfeição estrutural de suas frases; 
  • Solicitar ajuda da escola especial, sempre que for necessário; 
  • Procurar obter informações atualizadas sobre educação de surdos; 
  • Utilizar, se for necessário, os serviços de intérpretes;
  • E, principalmente, acreditar de fato nas potencialidades do aluno, observando seu crescimento.
A SALA DE RECURSOS
A escola regular, que recebe alunos surdos para promover seu processo de integração, deverá dispor de uma sala de recursos para atendimento a esses alunos em suas necessidades especiais. O professor da sala de recursos, juntamente com a direção da escola e a equipe técnico-pedagógica, deve preparar o professor da classe comum que vai receber os alunos surdos.
    As principais atribuições do professor da sala de recursos são:
  •  Oferecer apoio pedagógico a alunos integrados em classe comum; 
  •  Manter intercâmbio com a comunidade escolar para um trabalho de conscientização sobre as potencialidades do portador de surdez; 
  • Atender diariamente, na sala de recursos, alunos surdos integrados, individualmente ou em pequenos grupos, de no máximo seis alunos;
  •   Oferecer, na sala de recursos, complementação curricular específica, visando, principalmente, ao aprendizado da Língua Portuguesa (leitura, interpretação e redação de textos variados); 
  • Organizar um cronograma de atendimento às necessidades e às condições de cada aluno surdo; 
  •  Reunir sistematicamente os pais dos alunos surdos para orientações e incentivos à participação em reuniões da escola e no processo de integração dos alunos; 
  • Elaborar material pedagógico, visando a sanar as dificuldades encontradas pelos alunos integrados em classes comuns, nas diferentes áreas do conhecimento; 
  •  Atuar como professor de ensino dirigido de todas as disciplinas, visando ao aprendizado do vocabulário e mensagem ali expressos em Língua Portuguesa; 
  • Registrar a freqüência dos alunos da sala de recursos, bem como contatar os pais, quando houver faltas consecutivas; 
  •  Realizar visitas periódicas às classes comuns, registrando as informações relevantes que coletar; 
  •  Realizar periódica e sistematicamente avaliação das atividades desenvolvidas quanto à forma de agrupamento, metodologia, materiais utilizados, horário de atendimento, etc. e trocar impressões com o professor da classe comum quanto ao rendimento alcançado pelos alunos surdos integrados; 
  • Avaliar o processo de integração escolar, juntamente com toda a equipe da escola regular e a família.

ORIENTAÇÕES FINAIS

A lei da acessibilidade, que é uma realidade em nosso país, ainda se encontra no papel, mesmo assim, a escola precisa garantir acessibilidade e inclusão tanto em estruturas físicas quanto metodológicas de acordo com suas possibilidades e realidade. Os recursos tecnológicos favorecem a autonomia e a acessibilidade, mas muitas escolas ainda não dispõem dessas ferramentas. Em síntese, a educação especial é uma necessidade urgente que deve ter espaço aberto nas escolas. Objetivos precisam ser definidos, metodologias precisam ser construídas e a avaliação deve propiciar a inclusão de todas as crianças no processo de aprendizagem.  

REFERÊNCIAS
Site consultado:
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATOLICA DO RIO DE JANEIRO - PUC-Rio. Coordenação Central de Educação a distância - CCEAD. Inclusão e Tecnologias Assistivas. [aulas online]. Curso de Especialização em Tecnologias da Educação. Rio de Janeiro: CCEAD PUC-Rio; Brasília: Ministério da Educação, 2009. Disponível em: <http://eproinfo.mec.gov.br/>. Acesso em: 27 nov. 2009.

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